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Inês Santos

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P:Tremem-lhe as pernas quando sobe ao palco para representar?
Inês Santos (I): Agora já não.

P: Quando é que tira partido da sua sensualidade?
I: Sei que sou sensual quando estou a cantar, porque gosto de seduzir. Não de uma forma física, mas no sentido de convencer as pessoas da veracidade do que estou a fazer. Quando estou em palco, olho para a plateia e vejo as pessoas, olhos nos olhos, rio-me para elas. Gosto de interagir. Na intimidade, acho que a sensualidade é natural. Acaba por acontecer, é uma coisa física e acontece porque estamos com a pessoa de quem gostamos.

P: Aprende-se a ser sensual?
I: Acho que se pode aprender, sim. Nunca fiz um esforço para isso. Não tenho um corpo fabuloso, mas assumo-o e vivo com ele da melhor forma que posso, mas ser sensual vem muito da minha maneira de estar.

P: Gosta de seduzir?
I: Geralmente sou eu quem dá o primeiro passo. Não gosto de esperar e arranjo forma de conseguir logo o que quero.

P: Isso porque não quer perder um minuto da sua vida?
I: Sim, vou muito à luta e com tudo o que tenho. Sou muito ansiosa. Não consigo ter calma e esperar, e não é por ter medo de não viver amanhã. Quero é viver hoje e amanhã.

P:Diz não gostar muito das suas pernas. Como reage quando tem de usar saias curtas?
I: Assumo o que sou e não penso no facto de não gostar das minhas pernas. No musical tenho uma cena num bordel em que ponho uma perna numa trave junto às das bailarinas, elas têm todas umas perninhas torneadas e eu tenho as minhas. Se calhar, tento chamar a atenção de outra forma.

P: Assumir as imperfeições é uma prova de autoconfiança?
I: E de auto-estima... Se passar a vida a pensar que não gosto muito das minhas pernas ou que gostava de ter menos rabo, serei infeliz. Valorizo outras partes do corpo e não uso uma saia ou uns sapatos que não me favoreçam. Lido bem com isso, o que me dá segurança para lidar com os outros sem ter medo do que irão pensar. O sentimento com que fazemos as coisas supera tudo o resto. Adorar estar em palco supera o facto de não gostar das minhas pernas; adorar uma pessoa supera o facto de achar que ela pode não gostar tanto assim das minhas pernas. Tenho outras qualidades. Não é por ter umas pernas gordas que sou menos do que os outros. (Risos)

P: Tem inseguranças?
I: Claro que sim. Não faço uma produção fotográfica com um top curto quando sei que a minha barriga não é moldada. Mas também não tenho necessidade de mostrar o meu corpo. O meu corpo é para ser mostrado à pessoa que esteja comigo. No trabalho, uma das minhas inseguranças é nunca conseguir mostrar o que valho enquanto artista, mas nesta peça comecei a conseguir fazê-lo e, a partir daqui, acho que o caminho vai melhorar.

P: Por passar tanto tempo com os colegas de palco não corre o risco de se apaixonar por algum deles?
I: Claro que sim. Já namorei com uma pessoa com quem trabalhei e acho natural que assim seja. São pessoas que têm, com certeza, algo em comum.

P: Em algum momento se sentiu instável por não ter tempo para si, para a sua família e os amigos?
I: Senti. Foi duro e cheguei a chorar. Houve dias em que não consegui, ou achava que não iria conseguir, fazer o que o Filipe (Lá Féria, numa peça em que participou) exigia de mim. Os nervos à flor da pele, o cansaço, a fome, não dormir o que se quer, tudo isso desestabiliza um bocadinho. Mas tinha a noção de que estava a trabalhar para fazer um bom espectáculo.

P: Sente falta da família?
I: Estou há oito anos em Lisboa. Adoro a minha família, apoiamo-nos todos, conversamos muito e tomamos decisões conjuntas. Tenho uma família fantástica! Se não fosse isso, não teria os pés bem assentes na terra, como tenho, para estar nesta profissão, mas vivo muito bem sozinha. Mesmo tendo namorado ou amigos, gosto e preciso de ter tempo só para mim. Não me faz falta estar sempre rodeada de pessoas. Quando tinha folga, era mesmo para estar comigo. Dormir e não fazer nada.

P: Com o tempo tão preenchido como é que se alimenta o amor, as amizades?
I: As amizades só o são quando assentam em certezas. Os meus amigos estão lá sempre que eu precisar, e eles sabem o mesmo. Obviamente, temos de estar juntos de vez em quando, temos de fazer um telefonema, mas sem obrigação. O amor é uma luta diária. Tentar mantê-lo vivo sem ter tempo e à distância não é fácil.

P: A sua vida sentimental tem ficado para segundo plano?
I: Mas isso não é porque tenha o tempo ocupado, mas antes pela incompatibilidade de horários. Trabalho à noite e, além disso, é uma profissão onde damos tudo às pessoas que contracenam connosco e às centenas que nos estão a ver. É desgastante, e ter energia para depois ainda dar mais de mim a alguém é complicado. Estar em palco é uma grande responsabilidade, não podemos defraudar as pessoas, e eu lutei muito para estar onde estou.

P: Que projectos tem para este ano?
I: Desenvolver as minhas capacidades artísticas. Quero preparar um álbum, continuar a cantar. Este foi o momento exacto para aceitar a proposta de cantar, dançar e representar no mesmo espectáculo, pois ganhei maturidade. Nunca quis ser actriz. Sou cantora de vocação e formação. Estudei muitos anos para isso e nunca me arrisquei a fazer uma novela por achar que não era o meu lugar e não tinha de meter o nariz onde não era chamada. Agora que já sei que até sou capaz e sinto ter algum crédito, posso seguir por aí se me apetecer. Mas o meu sonho é cantar. Cantar sempre, até morrer.

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